Análise | Nova York Fashion Week S/S 2026:

No mês de setembro o calendário da moda mundial se prepara para atravessar sua fase mais efervescente: a temporada conhecida como Fashion Month. Trata-se de um circuito ininterrupto de desfiles que conecta as capitais mais influentes do setor. É nesse período que o mercado, a imprensa especializada e os consumidores atentos voltam seus olhos para as passarelas, onde coleções inéditas antecipam, com meses de antecedência, o que será traduzido em vitrines, editoriais e nos próximos comportamentos de consumo.

Dedicado à apresentação das propostas de primavera/verão, a maratona teve início em Nova York, que entre os dias 11 e 16 de setembro abriu os trabalhos com mais de 60 desfiles e apresentações da temporada de 2026. O evento, além de exibir o repertório criativo de grifes já consolidadas, foi palco para estreias promissoras e para o retorno de nomes que haviam se afastado do calendário.

A temporada nova-iorquina revelou um diálogo entre sensualidade e contemporaneidade, traduzido em propostas de alfaiataria mais descontraídas e tecidos que evocam leveza. Os estilistas exploraram a essência descomplicada do sportswear clássico americano, incorporando um senso de escapismo e uma clara busca por reconexão com a natureza. O resultado foi uma moda que se distancia das estruturas rígidas do passado — quando o ideal estético estava atrelado ao desconforto — e abraça o conforto como premissa central. Nesse movimento, o boho chic que marcou a temporada anterior evoluiu para um hippie chic moderno de encontro ao minimalista, onde o desejo coletivo por estilos de vida mais saudáveis, próximos dos campos e distantes da hiperconectividade urbana reforçam a ideia de que a moda atual não apenas veste corpos, mas traduz as aspirações culturais de uma sociedade em busca de equilíbrio.

Michael Kors. Fonte: WWD.
Calvin Klein. Fonte: WWD.
 Cuccuneli. Fonte: WWD.

Entre neutros e acentos vibrantes

A paleta cromática apresentada na temporada destacou-se pela sobriedade, em contraste com temporadas anteriores, frequentemente marcadas por combinações vibrantes e explosões de cor. O protagonismo esteve nas tonalidades neutras como branco, marrom, bege, amarelo mostarda e verde oliva, que reforçaram a estética mais contida e alinhada ao espírito discreto da estação. Ainda assim, marcas como Prabal Gurung, Ralph Lauren e Calvin Klein apostaram em nuances de rosa claro e vermelho intenso, como contrapontos estratégicos de frescor e energia. Embora algumas marcas tenham insistido em propostas mais coloridas, a predominância dos tons sóbrios reflete uma mudança de narrativa: a busca por equilíbrio, atemporalidade e versatilidade, aspectos que dialogam com o atual momento da moda, em que o vestir se orienta mais pelo conforto e pela durabilidade do que pela efemeridade das tendências.

Michael Kors. Fonte: WWD.
Lafayette. Fonte: WWD.
Calvin Klein. Fonte: WWD

Redes, babados e rendas

Os materiais e acabamentos revelaram uma estética que equilibrou delicadeza artesanal e irreverência despretensiosa. Babados e rendas surgiram em destaque, reforçando as referências hippie em composições modernas. A transparência, já habitual nas passarelas, ganhou nova leitura ao aparecer de forma sutil, explorada em tecidos com apelo manual e artesanal. Tecidos que simulavam amassados intencionais reforçaram a ideia de uma moda menos rígida, enquanto tramas inspiradas em redes e franjas esvoaçantes levaram fluidez às coleções. O resultado foi um conjunto de propostas que reinterpreta o luxo por meio da informalidade, reafirmando o caráter híbrido da moda contemporânea.

Calvin Klein. Fonte: FN.
 Kim Shui. Fonte: FN.   
 Prabal Gurung. Fonte: FN.
Patbo. Fonte: WWD. 
Colleen Allen. Fonte: WWD.
Patbo. Fonte: WWD.

Espetáculo das formas

As passarelas foram marcadas por um protagonismo de silhuetas ousadas e volumes generosos. O comprimento longo consolidou-se como a principal aposta da temporada, embora versões midi e mini também tenham encontrado espaço em coleções que buscavam dialogar com diferentes perfis de consumo. Entre os destaques, a gola alta em composições que iam além dos tradicionais casacos de lã e o efeito bubble, que cria a sensação de roupas infladas, resultando em volumes arredondados. As tendências apareceram tanto em versões mais clássicas — como saias e vestidos — quanto em experimentações ousadas, incluindo trench coats e composições que uniam os dois elementos, como na coleção de Alexander Wang.

Altuzarra. Fonte: FN.
  Prabal Gurung. Fonte: WWD.
Khaite. Fonte: WWD.
Calvin Klein. Fonte: WWD. 
Laquan Smith. Fonte: WWD.
Alexander Wang. Fonte: WWD.

Cinco tendências para apostar

No mercado, essa macrotendência tende a se refletir em um crescimento da demanda por peças que conciliam estilo e funcionalidade, com foco no conforto e na versatilidade. Materiais naturais, cortes fluidos e acabamentos menos rígidos ganham protagonismo, alinhando-se à valorização de um consumo mais consciente e à busca por bem-estar.

– Modelagem ampla e peças que dialoguem com um guarda roupa cápsula. 

– Rendas e babados sutís. 

– Paleta de cor terrosa com toques autênticos de cor. 

– Marcas que investem em transparência, sustentabilidade e narrativas que evocam uma vida mais equilibrada encontram terreno fértil para se conectar com consumidores que rejeitam padrões ultrapassados e valorizam autenticidade.

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