Concebida em Paris e reconhecida como uma das principais plataformas internacionais de design, decoração, lifestyle e inovação criativa, a Maison & Objet se tornou referência por antecipar movimentos estéticos, comportamentais e produtivos que reverberam globalmente nos setores de design de interiores, arquitetura, moda casa e indústria criativa. Neste ano, o evento aconteceu em Paris Nord Villepinte, reunindo marcas, estúdios, designers, compradores e pesquisadores entre 16 e 20 de janeiro, em uma edição marcada pela expectativa de forte curadoria autoral, diálogo entre tradição e tecnologia, novos materiais, sustentabilidade aplicada e propostas que refletem um mercado cada vez mais atento à identidade cultural e ao valor simbólico dos produtos.
Nesta temporada, a feira apresentou como eixo conceitual o tema “O passado revela o futuro”, uma escolha que reflete o momento de transição vivido pelo design global, no qual memória, herança cultural e saberes ancestrais deixam de ser referências nostálgicas para se tornarem motores de inovação. A proposta parte da ideia de que revisitar o passado é fundamental para construir soluções mais conscientes, duráveis e conectadas ao presente.
Tons ricos, profundos e quentes
As paletas terrosas evoluem de neutros contemplativos para tons mais densos, pigmentados e emocionalmente ativos. Beges minerais, marrons profundos e verdes suaves continuam a estabelecer bases de estabilidade e acolhimento, enquanto nuances mais saturadas como terracota, ocre, verde oliva e bordô introduzem vitalidade e sofisticação silenciosa aos espaços. A cromia traduz o desejo coletivo por conexão com a natureza, mas também por ambientes que expressem profundidade sensorial, calor e permanência. No contexto do consumo, essas cores operam como linguagem de confiança e autenticidade, reforçando narrativas de bem-estar, refúgio e longevidade estética que a humanidade anseia.





Matérias brutas e artesanais
A matéria bruta deixa de ser apenas rústica e passa a dialogar com inovação, tecnologia e design contemporâneo, evidenciando o fazer artesanal como ativo cultural e econômico. Há uma busca clara por materiais autênticos, imperfeitos e sensoriais, que carreguem marcas do processo e do gesto humano. O design artesanal assume protagonismo como linguagem estratégica em um mercado saturado de produtos industrializados e sem identidade.




Prata brilhante e cromado
Superfícies cromadas e o cobre ressurgem como códigos de modernidade atualizada, conectando referências do modernismo histórico a uma estética contemporânea, precisa e urbana. O brilho metálico passa a ser explorado de forma mais arquitetônica e conceitual, aplicado em mobiliário, detalhes construtivos e objetos que equilibram frieza técnica e sofisticação visual. O cobre, em especial, adiciona calor ao discurso metálico, criando contrastes entre reflexo, materialidade e luz.




Formas orgânicas e esculturais
O mobiliário abandona rigidez geométrica em favor de curvas suaves, volumes contínuos e formas irregulares que evocam movimento e naturalidade. As formas orgânicas contribuem para ambientes mais acolhedores, sensoriais e intuitivos, respondendo a uma demanda por conforto físico e emocional. Essa fluidez formal dialoga diretamente com a ideia de bem-estar ampliado, no qual o espaço deixa de ser apenas funcional para se tornar experiencial.




Listas gráficas
As listras retornam como elemento gráfico estruturante, aplicadas em estofados, objetos e superfícies arquitetônicas. Mais do que padrão decorativo, as listas funcionam como recurso de ritmo, organização visual e identidade estética. Elas transitam entre referências clássicas e interpretações contemporâneas, variando em escala, cor e proporção. No consumo, a estamparia listrada oferece reconhecimento imediato, versatilidade compositiva e forte apelo gráfico, tornando-se uma ferramenta estratégica para renovação visual sem ruptura radical.


No contexto do consumo, é possível destacar:
- Consumo orientado por significado, não apenas por estética.
- Interesse por materiais com textura, irregularidade e história produtiva.
- Expansão de linhas cromáticas terrosas mais pigmentadas.
- Afastamento consciente da casa homogênea e impessoal em favor de interiores que funcionam como biografias visuais.
- Alinhamento entre artesanato e inovação.
- Oportunidade para peças statement e mobiliário de forte presença visual.
- Estampas gráficas como recurso de atualização estética acessível.