56ª Casa de Criadores reafirma a força da moda como ferramenta de identidade, resistência e inovação.

Entre os dias 22 e 27 de julho, a capital paulista sediou a 56ª edição da Casa de Criadores (CdC), uma das mais relevantes plataformas de fomento a designers emergentes e marcas autorais no cenário da moda brasileira. Após um ano com desfiles realizados no Vale do Anhangabaú, o evento retornou ao Centro Cultural São Paulo, retomando o espaço que já foi palco de importantes momentos da iniciativa. Criada em 1997 pelo produtor cultural André Hidalgo, a Casa de Criadores nasceu com a missão de descobrir e impulsionar novos talentos da moda nacional. Desde então, tem se mantido atenta aos movimentos culturais mais iminentes, assumindo o papel de laboratório criativo em que moda, arte, tecnologia e consciência social se entrelaçam. Realizada duas vezes ao ano, a CdC se consolida como uma vitrine essencial para marcas independentes e um território fértil para o debate sobre temas urgentes.

Nesta edição, o evento apresentou 33 desfiles ao longo de seis dias intensos, reunindo propostas autorais, discursos potentes e estéticas diversas. Mais do que um calendário de lançamentos e coleções, a Casa de Criadores se firma como um manifesto de autoridade, reforçando seu compromisso com a diversidade e a inclusão. Em vez de seguir tendências globais, os criadores apostam em histórias singulares e projetos com propósito, destacando a moda como ferramenta de transformação social e construção de identidade. Ao costurar passado e futuro com criatividade, consciência ambiental e crítica social, o evento segue como farol de uma moda feita com voz própria – provocadora, engajada e profundamente conectada com as urgências do nosso tempo. Entre as novidades, a edição destacou o foco na sustentabilidade, mostrando que a utilização de tecidos orgânicos e materiais não convencionais tem ganhado destaque nos dias atuais. Em vista disso, o time da PGB reuniu tópicos importantes a serem analisados juntamente com os principais destaques da semana.

– A busca por maneiras sustentáveis de produção intensificou desde o último ano. 

– A crescente conscientização dos consumidores sobre questões ambientais e a busca por experiências autênticas tem gerado consumo com propósito. 

– O novo consumidor busca significado em suas escolhas de consumo.

Upcycling como Linguagem Estética do Estúdio Traça.

Inspirada na figura de um ser delirante que utiliza a criatividade como principal forma de expressão, a coleção “Delusionaire” de Guilherme Amorim evidenciou o uso do upcycling como principal estratégia de construção estética. A proposta conceitual foi traduzida por meio de peças confeccionadas em denim reaproveitado, volumes grandiosos, modelagens balonês, recortes assimétricos e composições em patchwork. As roupas criadas por Gui Amorim mantinham, muitas vezes, traços visíveis de suas configurações originais, sendo possível identificar as transformações recriadas pelo artista, reforçando o potencial criativo e sofisticado da reutilização criativa, não apenas como técnica sustentável, mas como linguagem de moda contemporânea e autoral.

Agência FotoSite.
Agência FotoSite.
Agência FotoSite.

A Expressão Visual nas Criações de Fábia Bercsek.

Reconhecida por sua contribuição significativa à construção da moda autoral brasileira, a estilista Fábia Bercsek retorna às passarelas com a coleção “World Expo 2025”, marcada pela valorização de processos manuais que conferem identidade única a cada peça. Entre os elementos que compõem essa narrativa visual, destacam-se as ilustrações com estética steampunk, aplicadas a minissaias, calças e moletons, trazendo personalidade e originalidade às criações. A coleção, concebida sob os princípios do design circular, aposta no upcycling como método de produção, utilizando peças de estoque em desuso, provenientes de lojas do Brás e Bom Retiro, em São Paulo.

Agência FotoSite
Agência FotoSite
Agência FotoSite

Berimbau Brasil e o compromisso com a valorização das raízes culturais brasileiras.

Com direção criativa de Sandro Freitas, a marca Berimbau Brasil apresentou uma coleção que mergulha na cultura tradicional do cultivo do coco babaçu – prática que sustenta diversas comunidades familiares no estado do Maranhão, terra natal do estilista. Com o objetivo de valorizar as pessoas envolvidas nesse ciclo produtivo e de enaltecer a palmeira como símbolo de riqueza natural e cultural maranhense, a marca apostou em incorporar referências diretas em suas criações, como o uso de texturas que remetem à palha, as cores presentes na planta e o desenvolvimento de bolsas inspiradas nos cestos utilizados durante a colheita do coco, propondo uma conexão entre moda, ancestralidade e sustentabilidade no descobrimento da essência da moda nacional.

Agência FotoSite
Agência FotoSite
Agência FotoSite

A Moda Lúdica e Sustentável de Vittor Sinistra

Intitulada “Clímax”, a coleção do estilista Vittor Sinistra carrega consigo peças que revelam uma leitura lúdica e ousada da moda, alinhada tanto à identidade autoral do designer quanto aos pedidos inusitados de seus clientes – frequentemente marcados por exageros criativos e pela busca por singularidade. Apostando no reaproveitamento de resíduos da indústria têxtil, o estilista construiu uma coleção vibrante, com destaque para as minissaias pregueadas e as formas não convencionais. Ao unir sustentabilidade, liberdade estética e uma dose de teatralidade, Vittor Sinistra propôs uma narrativa visual que celebra a autenticidade, lançando um convite direto à auto expressão sem amarras.

FFW
FFW
FFW

Estereótipos, Resistência e Moda de impacto

Com direção criativa de Lívia Barros e Janaína Azevedo, a marca Ken-gá Bitchwear apresentou, na passarela, a coleção “Parashock”, construída a partir das vivências pessoais de suas idealizadoras enquanto mulheres lésbicas. A proposta busca provocar reflexões sobre os diversos estereótipos que ainda recaem sobre essa identidade, traduzindo a moda em uma narrativa de resistência e expressão. As roupas, predominantemente pretas, fogem das estamparias coloridas que tradicionalmente compõem o DNA da marca. Ainda assim, elementos clássicos como o uso de metalizados e a mistura de resina, pelúcia e tule, permaneceram. Outro ponto de destaque foi o uso de tecidos fornecidos pela Santista Jeanswear, empresa reconhecida por sua atuação em práticas sustentáveis e pela produção de denim de alta performance, comporto por fio de poliéster reciclado Repreve, fabricado a partir da recuperação de garrafas PET descartadas.

Agência FotoSite
Agência FotoSite
Agência FotoSite
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors